Tendências tecnológicas em 2019: o que se destacou e o que esperar para 2020

Já faz alguns meses que grandes instituições de pesquisas, como a Gartner e o IDC, divulgaram estudos sobre o que esperar do futuro da tecnologia em 2020. O assunto é bom, rende entusiasmo, aprendizado e muitos insights. Porém, antes de falar sobre o que está por vir, vale a pena observar como o mercado tem absorvido essas novidades.

Durante todo o ano de 2019, publicamos artigos falando sobre inteligência artificial, internet das coisas, realidade aumentada, entre outras inovações com um intuito:

Este artigo é uma breve retrospectiva de tudo isso e um link com as previsões para este ano, baseado na lista da Gartner. Relembre as dez tendências e confira como cada uma delas tem se destacado:

Experiência imersiva

Segundo estimativas da Gartner, até 2028 haverá uma revolução na experiência do usuário em relação ao ambiente on-line. Se as plataformas de conversação já vêm mudando as formas de interação, a Realidade Aumentada (AR), a Realidade Virtual (RV), a Realidade Mista (MR) e o conteúdo visual 360º estão alterando as percepções dos usuários.

É por isso que muitas empresas têm feito de seus espaços físicos verdadeiras pontes entre o produto e o cliente. E tanto a realidade virtual quanto a aumentada tornam-se importantes para esse tipo de estratégia.

Falando especificamente de realidade aumentada, muitas marcas estão utilizando a inovação em seus espaços físicos. A Timberland, por exemplo, foi uma das primeiras empresas a implementar a tecnologia de modo que ela permita que os consumidores que passassem pela loja pudessem experimentar looks sem a necessidade de trocarem de roupas. Hoje em dia, muitas empresas do varejo físico adotam a prática.

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Fonte: Lemon&Orange

Uma das ações que ilustram bem os benefícios das tecnologias imersivas é a realizada pela Clínica Sansum, localizada na Califórnia (EUA). Em um levantamento realizado pela instituição, as crianças que usaram óculos 3D no momento da vacinação afirmaram sentir 75% menos dor e 52% menos medo do que aquelas que não se valeram do acessório. Ou seja, a Realidade Virtual pode transformar experiências traumáticas ou que envolvem medo em percepções menos negativas.

Espaços inteligentes

Os espaços inteligentes já são uma realidade. É possível dizer, inclusive, que falta pouco para que ganhem escala e façam parte do dia a dia da maioria das pessoas. São ambientes compostos por objetos inteligentes, que utilizam tecnologias disruptivas como a internet das coisas (IoT) para criar automação e realizar as mais diversas tarefas.

Segundo a consultoria IDC, somente as cidades inteligentes movimentarão US$158 bilhões até 2022, o que demonstra que em 2020 a tendência deve seguir em ritmo acelerado.

Entre as cidades que mais se destacam no mundo, estão Singapura, que em 2018 recebeu o título de Cidade Inteligente durante o Smart City Expo World Congress. Mas o Brasil não fica atrás: Curitiba (PR) foi indicada como uma das seis cidades mais inteligentes do planeta com o Vale do Pinhão, ação da Prefeitura e do ecossistema de inovação para levar o desenvolvimento sustentável a todo o município.

No universo corporativo, a tecnologia pode ser utilizada com as mais diversas finalidades. Os edifícios inteligentes, por exemplo, têm o objetivo de aprimorar a experiência do usuário, aumentar a produtividade, reduzir custos e minimizar riscos físicos e de segurança cibernética.

Um case de utilização dos espaços inteligentes é o prédio da empresa de serviços Deloitte, localizada em Nova York. Na construção, os ativos físicos são otimizados com o auxílio de ativos digitais os quais criam um espaço inteiramente conectado graças à junção entre os dois ambientes.

Entre os dispositivos físicos, estão sensores, sistemas de iluminação e controles de acesso. Para que funcionem de forma inteligente, são utilizados recursos como a robótica, o reconhecimento facial, a biometria, a cibersegurança, o machine learning e a análise de dados.

Blockchain

Uma das tendências que segue na lista de 2020 da Gartner é o Blockchain, ou Cadeia de Blocos. Trata-se de uma tecnologia de registro distribuído e criptografado que visa à descentralização como medida de segurança e à redução dos intermediários nas transações, diminuindo custos, desburocratizando processos e minimizando o tempo de negociações, fechamentos de contratos e vários outros processos.

Em 2019, a adoção da tecnologia começou a ganhar mais maturidade com cases diversos, os quais envolvem o rastreamento de produtos, como é o caso do Carrefour, registros de nascimento em cartórios com uma tecnologia desenvolvida pela IBM e o monitoramento de ativos por investidores oferecido pelo HSBC.

Em contrapartida, os recursos e conceitos de Blockchain ainda são imaturos, mal-compreendidos e não comprovados em operações de negócios em escala de missão crítica. Apesar dos desafios, o significativo potencial de disrupção está fazendo com que CIOs e gestores de TI comecem a avaliar sua utilização prática, mesmo que não haja uma adoção massiva nos próximos anos. Segundo a Gartner, o Blockchain deve criar US$3,1 trilhões em valor de negócios até 2030.

Coisas autônomas

O aumento das coisas autônomas, como robôs, drones e veículos, está entre as previsões da Gartner que deve seguir com força total nos próximos anos. Isso porque essas tecnologias automatizam inúmeras ações que até um período recente eram realizadas apenas por seres humanos. Entre as vantagens estão a redução de falhas e custos, elevando a produtividade e garantindo alto desempenho.

Por exemplo, ao analisar uma área de plantio, um drone pode concluir, sem a interferência humana, que a cultura está pronta para a colheita. A partir daí, despacha uma colheitadeira autônoma para realizar o trabalho. Já no mercado de entregas, robôs a bordo de veículos podem garantir a entrega de um produto.

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Fonte: PINC Air

As coisas autônomas já fazem parte do cotidiano de várias organizações. Alguns exemplos são a Uber, a Microsoft e outras companhias que utilizam robôs Knightscope K5 para prever e prevenir crimes usando robôs autônomos, análises e engajamento.

Empresas do setor automotivo, como Mercedes Benz e Nissan, esperam que, ao removerem o elemento humano, carros autônomos minimizarão o número de acidentes. Até 2021, prevê-se que 10% dos novos veículos terão capacidade de condução autônoma, um percentual muito maior do que a previsão 1% realizada em 2017.

Ética e privacidade digital

Outra tendência apontada pela consultoria são os investimentos em ética e privacidade digital. Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a segurança de suas informações pessoais. Diante disso, as empresas podem pagar caro se não implementarem estratégias de cibersegurança.

Inclusive, previsões apontam que as companhias que negligenciarem a proteção de dados pagarão 100% a mais em custos de conformidade do que os concorrentes que vêm investindo em práticas com esse objetivo.

Outra questão que faz com que essa seja uma das tendências a permanecerem aceleradas em 2020 é a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados, que aplicará multas que chegam a R$50 milhões para as empresas que descumprirem as diretrizes.

Apesar desse cenário, muitas organizações ainda precisam se adequar para conquistar a confiança de clientes e evitar pesadas sanções legais. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa realizada em 2019 pela Serasa Experian, apenas 31,8% das empresas do setor financeiro no Brasil estão preparadas para as exigências previstas na lei.

Se pensarmos que, mesmo com o índice alarmante, o segmento é o que mais investe entre todos os outros, pode-se perceber que é o momento de priorizar as ações de segurança. Do contrário, as companhias podem estar fadadas à reputação negativa entre os consumidores e ter graves prejuízos.

Edge Computing

A Edge Computing, ou Computação de Borda, é uma tecnologia emergente a qual possibilita que os dados sejam processados ou armazenados em um servidor localizado no mesmo espaço em que foram gerados. A busca pelo recurso tem aumentado em um mercado que precisa acompanhar o avanço da transformação digital.

Um dos principais fatores que levam à adoção da Edge Computing é a chegada do 5G, que promete grande velocidade e alta qualidade de conexão. Com essa demanda, também surge a busca por maior espaço na nuvem e processamento de dados. De acordo com o IDC, para suportar essa inovação, os provedores de internet precisarão investir em micro data centers de Edge Computing próximos das torres de transmissão.

Outro aspecto que vem impulsionando a Computação de Borda é a Internet das Coisas (IoT). De acordo com a Gartner, em 2020 haverá cerca de 25 bilhões de objetos conectados pelo mundo, o que não permite espaço para a latência, ou seja, o período em que as informações processadas chegam à nuvem e retornam ao dispositivo, o que pode gerar lentidão. Por esse e outros motivos é que a Computação de Borda ressurge nas previsões da consultoria em 2020.

Gêmeos digitais

Os Gêmeos Digitais, ou Digital Twins, consistem basicamente na criação de réplicas digitais de ativos com o objetivo de compreender seu funcionamento ou desempenho. Na prática, isso pode ser feito com uma fábrica, uma máquina, um prédio ou o funcionamento do corpo humano, por exemplo.

Essa digitalização, que há pouco tempo era vista como algo complexo ou inatingível, foi impulsiona a partir da IoT, que tornou-a mais amigável e acessível. Por meio dos Gêmeos Digitais é possível criar uma série de simulações para melhor entender o resultado de uma estratégia ou inovação e então ter mais certeza ou previsibilidade para colocá-las em prática no ambiente físico.

A solução está começando a ser adotada por organizações do mundo todo, seja em P&D, desenvolvimento em sinergia com o cliente ou a forte relação com o Customer Experience. Isso permite que o consumidor experimente algo no digital, exponha suas percepções e que as empresas ajustem os produtos ou serviços para otimizar a satisfação dele por meio de uma escala mais certeira.

Na prática, a tecnologia será um elemento-chave nas cidades inteligentes. Já existem experiências validadas de monitoramento em prédios ou estruturas de países como os Estados Unidos, Noruega, Alemanha, Singapura e Austrália. Nesses locais, sensores e dispositivos enviam dados que são analisados no ambiente on-line para antecipar desgastes ou possíveis falhas que proporcionem manutenções preditivas e eficientes.

Desenvolvimento orientado por AI

A inteligência artificial deixou de ser tendência para ter aplicação prática nos mais diversos setores e portes de negócios. Porém, a previsão para 2019 foi de que essa tecnologia disruptiva mudaria para uma abordagem em que os cientistas de dados se associariam a desenvolvedores de aplicativos para criar a maioria das soluções aprimoradas pela IA. Nesses modelos, o desenvolvedor teria autonomia para operar sozinho por meio de formatos
pré-definidos como serviço.

Isso possibilita aos profissionais de TI o acesso a algoritmos e modelos de inteligência artificial, assim como ferramentas de desenvolvimento adaptadas para integrar recursos e modelos a diversas soluções.

Outra brecha para o desenvolvimento de aplicações surge à medida que a AI é aplicada ao próprio processo de desenvolvimento para automatizar várias funções de ciência de dados, desenvolvimento de aplicativos e testes. Segundo a Gartner, em 2022, ao menos 40% dos novos projetos de desenvolvimento de aplicativos terão codesenvolvedores de IA em sua equipe.

Para 2020, além de a tecnologia ser aplicada ao desenvolvimento, a preocupação será com a segurança, já que há um aumento massivo de ataques cibernéticos em dispositivos inteligentes, os quais exigem ferramentas de defesa cada vez mais poderosas e eficazes.

Analítica aumentada

A analítica aumentada, ou Augmented Analytics, se utiliza do machine learning para transformar a maneira como o conteúdo analítico é desenvolvido, consumido e compartilhado. Os recursos devem ser incorporados às aplicações das empresas, possibilitando uma melhor tomada de decisão em todas as áreas, não apenas a de TI.

Por exemplo, com o auxílio do Big Data e seus métodos de análise avançados, o desenvolvimento de estratégias de marketing pode ser muito mais eficiente a partir de uma verificação minuciosa das necessidades do público, o que gera ações que vão exatamente ao encontro a elas.

Além de melhorar os acertos, a técnica também pode significar aumento de produtividade. A partir das informações geradas em um ciclo de produção e operação, é possível identificar e sugerir alterações nos processos, inclusive dentro de cartórios.

A função de automação da ferramenta ainda analisa o tráfego digital e dados de publicidade, gerando respostas instantâneas sem a necessidade de relatórios detalhados. Inclusive, estima-se que, em 2020, 50% das pesquisas analíticas devam ser feitas por meio de assistentes virtuais ou plataformas de analítica aumentada.

Tendências tecnológicas para 2020

Agora que já conhece as previsões passadas e os rumos que as tecnologias disruptivas e emergentes devem tomar nos próximos anos, ficou curioso para descobrir o que um futuro próximo nos espera? A nova lista do Gartner, que será abordada em nosso próximo artigo, contém as seguintes soluções:

  • Hiperautomação;
  • Multiexperiência;
  • Democratização da expertise;
  • Aprimoramento humano;
  • Transparência e rastreabilidade;
  • Borda empoderada;
  • Nuvem distribuída;
  • Coisas autônomas;
  • Blockchain prático;
  • Segurança de inteligência artificial.

Quer ter mais detalhes sobre cada uma delas para que sua empresa acompanhe a transformação digital que vem ocorrendo de forma acelerada em todo o mercado? Então, fique ligado, porque esse é o próximo assunto a ser abordado por aqui!

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