O que é edge computing e como a tecnologia pode impactar o futuro dos negócios?

Edge computing é um termo em inglês que pode ser traduzido para computação de borda, que trabalha com a noção de que aparelhos responsáveis por coletar, processar ou entregar informações devem estar próximos à fonte delas a fim de reduzir a lentidão na transmissão.

Vale lembrar que, mesmo em um mundo totalmente conectado, a distância geográfica ainda deve ser considerada na troca de conhecimentos. Para reduzi-la e diminuir o atraso causado por ela, um sistema formado por pequenos centros de processamento de dados se faz necessário.

Quer saber como o edge computing pode impactar o futuro do seu negócio? Então, veja abaixo o que você vai aprender neste artigo:

Como funciona o Edge computing?

Em 2019 e 2020, a Gartner mostrou que a computação de borda é uma das principais tendências estratégicas para o uso de tecnologia nos negócios. Um exemplo do uso de edge computing é uma compra feita com cartão, seja por inserção na máquina ou utilização de serviços como Apple Pay e Google Play.

Quando você realiza uma compra, a máquina envia a informação para a operadora do seu cartão de crédito. Porém, há um problema: o servidor principal da sua operadora está em Nova Iorque. Sabe o que isso significa?

Que a máquina do cartão que usou para a compra precisa mandar a informação para outra cidade e o servidor localizado lá mandará a confirmação de volta para o aparelho. O processo todo leva apenas segundos para ser concretizado, mas uma queda na transmissão tornaria necessária a repetição da compra.

O processo que leva segundos pode tomar minutos preciosos. Além disso, a transação fica sujeita a falhas, como compra dupla por falha na confirmação.

A solução para essa comunicação é o uso do edge computing. Ao instalar um centro micro para processamento de dados, a troca de informações simples, como uma transação e sua respectiva confirmação, é feita no próprio país.

Ou seja, aquele processo de segundos fica ainda mais rápido, diminuindo também as chances de erros. Apenas uma parte da informação dessa transação é enviada ao servidor principal, mas você, como consumidor, não participa desse processo.

Vale mencionar que esse é apenas um dos exemplos de uso do edge computing. Vamos mostrar mais ao longo deste artigo.

Qual a relação dele com Cloud Computing?

Com nosso exemplo acima, você certamente já entendeu que a computação de borda e de nuvem estão diretamente ligadas. Por outro lado, pode passar a impressão de que o edge computing é, de certa forma, uma evolução em relação ao cloud computing.

Esse não é o caso. Na verdade, a computação de borda é um complemento à nuvem. Isso significa que nem todas as operações que se baseiam nesta tecnologia usarão o edge computing.

Até porque o uso dos microcentros de processamento de dados não podem ser utilizados de maneira individual. Os servidores principais em nuvem continuam a ser essenciais nesse processo.

Ou seja, é impossível usar o edge computing sem o cloud computing. O objetivo dele é simplesmente otimizar os processos e custos com operações na nuvem, além de retirar a sobrecarga dos dados trocados na rede.

E com a Internet das Coisas?

A computação de borda também está diretamente ligada à outra tecnologia que é tendência nos negócios: a Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Thing).

Quando exemplificamos a relação com a nuvem, falamos apenas sobre como os centros de processamento se relacionam com os servidores principais da nuvem. Contudo, como esses centros dialogam com os aparelhos que enviam essas informações para serem processadas? Por meio da Internet das Coisas!

Você já deve ter notado a quantidade impressionante de aparelhos e eletrodomésticos que podem acessar a internet por Wi-Fi na atualidade.

Em 2019, uma garota de 15 anos viralizou na rede por enviar um tweet usando sua geladeira após a mãe ter confiscado todos os outros aparelhos da casa com acesso fácil à rede social.

Mesmo que seja apenas uma curiosidade, o caso mostra como a IoT já é parte da rotina de uma parcela da população mundial. A Intel estima que, em 2025, 55% dos dados produzidos no mundo serão criados por aparelhos conectados à Internet das Coisas.

Onde o edge computing se encaixa nisso? No processamento de todo esse volume de informações gerados pelos aparelhos. Não vai demorar até que adolescentes de 15 anos enviem tweets a partir de sua geladeira. Já imaginou o volume de informações que seria gerado?

Na verdade, isso já é realidade em alguns setores. A operadora telefônica americana Verizon já fez testes de edge computing com conexões 5G na cidade de Houston, nos EUA.

O teste consistiu no uso de um aparelho IoT que usa inteligência artificial para reconhecimento facial. Ao enviar as informações para um microcentro de processamento em vez de um hub central, o resultado da identificação ocorreu duas vezes mais rápido que antigamente.

A mesma situação já acontece com maquinário de indústria. A Daihen Corp, uma fabricante de eletrônicos japonesa, contratou uma empresa especializada em IoT e edge computing para agilizar o processamento e trânsito de informações de máquinas e sensores em seu pátio de fábrica.

Com a implementação da tecnologia e balanceamento de quais informações são processadas na borda e na nuvem, foi possível receber métricas em tempo real e identificar erros na produção dos produtos imediatamente, além da própria melhora na coleta de dados.

Esses são apenas alguns exemplos de uso da Internet das Coisas com a computação de borda. A seguir, vamos mostrar como funciona a implementação desse tipo de sistema, com alguns exemplos do que pode acontecer em um futuro próximo.

O que considerar ao implementá-lo em seu negócio?

Não há como negar que o uso de computação em nuvem, IoT e edge computing faz do sonho de qualquer fã de ficção científica uma realidade. Porém, na ficção, não precisamos nos preocupar com como as coisas são feitas. Então, de que modo é possível implementar computação de borda em seu negócio?

Assim como em qualquer decisão, é necessário entender se o seu setor ou negócio precisa dessa tecnologia ou até mesmo se sua empresa tem infraestrutura suficiente para a implementação.

O principal critério a considerar é a necessidade de troca de informações com agilidade. A execução do seu trabalho é altamente dependente do tempo que um dado leva para ser capturado, processado e transmitido? Se a resposta for sim, então é possível que precise do edge computing.

Por outro lado, alguns requisitos precisam ser cumpridos antes de prosseguir. O primeiro deles, como é de se esperar, é a largura da banda de internet da sua empresa. De nada adianta usar o edge computing para melhorar a velocidade do processamento se conexão não for capaz de transmiti-las rapidamente.

Além disso, é necessário considerar o aumento do consumo e custo de energia, a capacidade de processamento das máquinas e o custo da própria implantação, que não é tão acessível por enquanto.

Quais são os passos necessários?

• Trabalhar a cultura da sua empresa para maior aceitação das mudanças que virão;
• criar os microcentros de dados necessários para o edge computing;
• encontrar parceiros especializados no uso da tecnologia;
• aumentar a segurança digital da empresa na implementação;
• executar a implementação e desafogar os servidores centrais na nuvem.

Quais setores podem se beneficiar da computação de borda?

Se ainda está com dificuldades para compreender como diferentes setores na indústria podem se beneficiar do uso do edge computing, veja abaixo alguns exemplos.

O primeiro deles está no ramo da saúde. A descentralização das informações médicas e prontuários pode ser feita com mais velocidade e menos propensão a erros caso haja problemas no servidor central, tornando a troca dessas informações mais rápida e segura.

Um exemplo disso é o hospital britânico Leeds Teaching Hospitals NHS Trust, que já utiliza um modelo básico de computação de borda na área de pacientes com problemas renais. Há um aparelho IoT localizado na cama dos pacientes o qual monitora sua condição e transfere as informações obtidas diretamente ao prontuário eletrônico, que pode ser acessado pelo corpo médico.

Já no setor varejista, seu uso aumenta a capacidade de reunir informações sobre lojas em localidades específicas, além de facilitar a compreensão dos hábitos e perfis dos consumidores daquele determinado local. Vale mencionar que há a possibilidade de fazer a análise em tempo real, ajustando ofertas e criando promoções oportunas para um determinado momento.

Na área de segurança, a velocidade de resposta de câmeras, sensores de movimento ou de fumaça fará com que serviços emergenciais sejam acionados com mais rapidez, diminuindo os riscos de um desastre.

Também é válido salientar um benefício que serve a qualquer área do mercado ou indústria: a economia de informações armazenadas.

Servidores centrais costumam ter dados em excesso. Não à toa, muitas empresas absorvem um custo imenso para armazená-los, mesmo que muitos talvez nunca sejam necessários. Aliando machine learning e edge computing, a própria microcentral determina quais informações devem ir para o hub.

Quais os desafios no uso dessa tecnologia?

Como foi visto na seção anterior, ainda é necessário considerar alguns critérios antes de adotar o uso de edge computing em seu negócio. Atualmente, o maior desafio é disponibilizar uma conexão suficientemente veloz para acompanhar a o processamento.

Por outro lado, esse é um desafio que aparentemente terá vida curta. Como mostramos ao falar dos testes da operadora Verizon, as conexões 5G e Wi-Fi 6 serão capazes de manter a velocidade das transmissões. No entanto, ainda levará algum tempo até que estejam disponíveis e livres de erros aqui no país.

Além disso, há grande preocupação em relação à segurança das informações. Por conta de o processamento e a transmissão se tornarem mais “horizontalizados”, ou seja, sem a necessidade de um servidor central, também aumentam as possibilidades de ataques cibernéticos.

A grande questão sobre a segurança no edge computing está nas maneiras que os hackers podem usar as informações trocadas entre aparelhos IoT e as microcentrais de processamento contra os próprios usuários.

Por conta dessa preocupação, já existem certificados de segurança que estabelecem padrões para a proteção dos dados das centrais de processamento e IoT, como a ISO 27001 e a HIPAA/HITECH.

Como o Edge computing impacta o futuro dos negócios?

Ao longo do artigo, mostramos alguns exemplos de como os primeiros estágios da tecnologia já são utilizados em diversos setores, como o industrial e o de saúde.

Assim como em toda inovação, ainda há questões a serem resolvidas. Entretanto, parece que a resolução não vai demorar para acontecer, o que permitirá sua implementação em instituições ao redor do mundo.

O edge computing provavelmente se tornará uma constante em todos os locais, seja ao dar um passeio no shopping, ser socorrido em um hospital ou até mesmo ao entrar em um mercado perto de onde mora.

Com maior velocidade no processamento e transmissão de dados, negócios serão capazes de analisar informações com mais qualidade e rapidez, oferecendo aos gestores melhores ferramentas para a tomada de decisão, otimização de produção e criação de anúncios e ofertas.

Como você acha que a computação de borda ajudará o seu negócio?

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